Em 40 anos de fundação, UFMT tem a primeira patente registrada
João Arruda | de Cáceres
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A cacerense Izabela Gutierrez de Arruda, 35, graduada em matemática pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), acaba de protagonizar um feito inédito para o Estado de Mato Grosso. Com mestrado em Física pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e atualmente cursando doutorado em Ciência e Engenharia de Materiais pela USP de São Carlos, ela depositou um pedido de patente, o primeiro invento em seis anos de existência do Programa de Pós Graduação em Física e também o primeiro oficialmente da Universidade Federal de Mato Grosso
Ela conseguiu criar um biossensor de baixo custo – capaz detectar a
presença de pesticidas nas cadeias hídricas situadas próximas as áreas usadas
para agricultura de pequeno, médio ou grandes extensões de lavouras. A patente é
fruto de sua pesquisa no Mestrado sob a orientação dos professores doutores
Romildo Jerônimo Ramos (UFMT), Francisco Gontijo e Nirton Cristi Silva Vieira
(USP), com a colaboração do doutor Ailton José Terezo (UFMT).
O titulo da invenção leva a nomenclatura de: “Processo para construção de
eletrodos modificados e sistema de medição do índice de concentração do
pesticida metamidofós”. Para se chegar a essa criação tecnológica Izabela teve
que empregar elementos químicos como nanopartículas de óxido de silício e o
polímero PAH (polialilamina hidroclorada), além da enzima acetilcolinesterase
(AChE). Com o aparelho em poucos minutos se pode constatar se há ou não
contaminação por pesticida em pequenas amostras de água.
Até antes dessa descoberta a constatação cientifica somente seria
possível com remessa das coletas de líquidos para outros centros como Rio de
Janeiro e São Paulo, que possuem laboratórios capazes de detecção desses agentes
derivados dos pesticidas.
O uso do pesticida metamidofós é abundante no combate e na prevenção de
pragas na agricultura, porém, o resultado pode ser intoxicações de mamíferos, de
aves e também de humanos. Segundo a ANVISA, o metamidofós ataca o sistema
nervoso central de diversos animais e seres humanos, através da inibição da
AChE, causando danos irreversíveis ao homem. A intoxicação se dá quando
absorvidos pelo organismo por via oral, respiratória, cutânea (dérmica) e
mucosas.
Segundo o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso
(INDEA-MT), o metamidofós é o inseticida mais utilizado no estado de Mato
Grosso, sendo que a média anual de uso desse inseticida, que é extremamente
tóxico, ultrapassa em seis milhões de litros. Esse pesticida pode provocar
cefaléia, tontura, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, confusão
mental, ansiedade, agitação, sonolência, convulsões, tremores e até coma. Além
dos danos citados, as manifestações clínicas da intoxicação aguda por
metamidofós podem ser respiratórias, cardiovasculares, oculares, podendo até
mesmo causar paralisia muscular dos músculos respiratórios seguida de
morte.
Izabela que é natural da cidade de Cáceres fez questão de destacar o apoio
recebido do corpo docente da UFMT, em especial ao médico Wanderlei Pignati, que
segundo ela é um dos maiores incentivadores das pesquisas voltadas para essa
área, visando um melhor controle do uso de pesticidas, e principalmente
orientando a comunidade para riscos a saúde humana.
Ao patentear o invento, recebeu a noticia da aprovação de R$ 1,1 milhão
(CTinfra/UFMT) para aquisição de equipamentos de pesquisa onde está inserido
equipamentos para que ela junto com o IF/UFMT possa dar sequencia nessa
pesquisa.
Além de ex-aluna da UFMT, atual aluna da USP/São Carlos, Izabela faz parte
do INEO – Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica apoiada pela FINEP. Antes
de cursar o ensino superior Izabela Arruda, fez o ensino básico na Escola
Estadual Senador Mário Motta, em Cáceres e o nível médio na Escola Estadual Onze
de Março, também em Cáceres.
Izabela está no momento licenciada pelo estado de Mato Grosso, onde é
professora da rede estadual de ensino na cadeira de matemática na Escola
Estadual Professora Vanil Stabilito, em Várzea Grande.